sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pequeno-almoço de papas de aveia #vegetariana

As papas de aveia constituem um pequeno-almoço delicioso, nutritivo e muito saciante. E é, também, algo que se pode preparar de véspera, para ninguém sair de casa de barriga vazia. Sobretudo, se há filhos que saem de casa depois dos pais!
A Letícia adora estes frascos com papas de aveia, faço principalmente com banana, que era um fruto que ela não gostava de todo, e actualmente come com gosto.


Papas de aveia de frasco(de um dia para o outro)

Ingredientes:
Leite de arroz ( ou outro)
Três colheres de sopa de flocos de aveia 
Uma colher de sobremesa de chocolate em pó puro
Uma colher de chá de chia
Uma colher de café de canela em pó
Meia banana madura ( ou frutos vermelhos )
Uma colher de chá de manteiga de amendoim

Como fazer:
Colocar num frasco todos os ingredientes, a fruta, no caso da banana, cortada em meia-lua. Deixar no frigorífico durante a noite. De manhã, aquecer um pouco no micro-ondas, porque as manhãs estão frias e quentinho sabe melhor, e agitar. Decorar com muesli, granola, noz picada, a gosto.


A isto chama-se começar bem o dia! 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Cartas abertas aos Youtubers que nunca as lerão

Parece que ultimamente os pais perceberam a influência que os youtubers têm nos filhos. Vai daí, começaram a escrever-lhes cartas abertas. Reconhecem a ascendência que estes têm nos filhos, e jovens em geral, e pedem-lhes que utilizem esse prestígio para o bem, ajudando o Mundo, e o futuro, a serem melhores. 

A intenção é boa, mas receio realmente que não frutifique; os youtubers estão apenas a ser eles próprios, e se são mal-educados, dizendo um palavrão a cada três palavras, é mesmo assim que eles falam. Se os conteúdos partilhados são vazios ou fúteis, é o reflexo das suas personalidades. É o espelho do Mundo. Acreditar que estes apelos farão despertar estas estrelas inatas do vídeo, e levá-las a subir no patamar da qualidade, é bastante ingénuo.

No ano passado levei a minha filha a um "meet". Ela queria porque queria, porque o rapaz era brasileiro e era uma oportunidade única. Bastante contrariada, fiz-lhe a vontade. Intimamente desejava que aquilo fosse um fracasso e lhe servisse de lição, mas por outro lado, tinha vontade de conhecer toda aquela dinâmica.
Disseram que a sala estava completa, e sendo pequena não me espantou, estariam ali cerca de duzentos rapazes e raparigas? Não muitos, porém, intensos e nervosos na espera. E quando o tal youtuber chegou, foi o delírio, fez-me lembrar a multidão enlouquecida no tempo áureo dos Beatles. Em versão liliputiana, por assim dizer, mas o delírio estava lá. Ora o que fez então a estrela? Conversou com a audiência, falando banalidades ( aplausos, muitos aplausos), elogiou os melhores fãs do mundo ( gritos, muitos gritos), cantou (duas canções que não eram dele, em coro com a plateia), e na maior parte do tempo, tirou fotografias -selfies- com os fãs, que fizeram fila e esperaram muito tempo ( no meu tempo!), sem reclamar. Ah, e recebeu presentes, postais e cartas! E muitos abraços e beijos, emocionados e lacrimosos.

No final, ao conversar com a Letícia sobre tudo isto, perguntei-lhe se tinha valido a pena, ao qual ela me respondeu que não; contudo, tinha gostado de ter ido, para saber como era, e nunca mais repetir. O certo é, que nunca mais voltou a pedir para ir a um "meet". Lição aprendida! ( Aleluia!)

Eu sei que os filhos têm hoje acesso a um mundo ilimitado de influências, e que nós, enquanto pais e educadores não podemos restringir esse acesso. Proibir não resulta, pelo contrário, incentiva. Torna-os rebeldes, ainda mais rebeldes.
A única solução que nos resta, então, é educar os filhos com espírito crítico, levá-los a compreender o que vale a pena ouvir e ver, o que é bom e mau, e saber separar as águas. Nem que para isso tenhamos, também, que ver alguns vídeos dos youtbers ( é fundamental conhecer o "inimigo"), para posteriormente, e a propósito, conversando, apresentarmos os nossos argumentos, quando quisermos desmontar a "fixeza" desses youtubers. 
É que não parecendo, a grande influência está mesmo em casa, na família, e simplesmente não podemos desistir dela.

 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Poderosos e Predadores


Poderia ser o título de um filme de 5ª categoria, mas é a realidade, vivida nos bastidores, pela nata cinematográfica norte-americana.

Léa Seydoux não imaginaria que a sua denúncia contra Harvey Weinstein, de assédio sexual, abriria uma Caixa de Pandora. Depois dela, uma lista de nomes, bastante considerável, acusaram o poderoso produtor de Hollywood, de abuso sexual e mesmo violação. A partir daí, outras acusações estão a ser feitas, a outros famosos e influentes, como James Tobak, Kevin Spacey e agora Dustin Hoffman. 
Todos pedem perdão, desculpam-se por não se lembrarem, estavam alcoolizados, estavam sob efeitos de droga, etc.  Porém, a saga continua! 

Já imaginava que Hollywood fosse terra propícia a todos os tipos de devassidão, mas que fosse tão abrangente, relativamente a nomes que pensaríamos estar acima desta degradação, realmente não. Ninguém quis saber, ninguém quis ver, ou ouvir as vítimas; antes as aconselharam a calar, a sacrificarem-se pela "produção", alimentando desta forma os predadores, e perpetuando um sistema corruptor e amoral.

E o que mais se verá? São aos milhares no Twitter com #metoo. Faltam avançar agora as vítimas de pedofilia. É necessário que estes rostos e nomes - célebres e poderosos- sejam divulgados, repudiados e entregues à Justiça. Que se faça uma limpeza, e o Mundo comece de novo!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Sophia - Um robot com cidadania



Esta é Sophia, o primeiro robô a receber cidadania (honorária, pela Arábia Saudita). Impressiona a sua capacidade de resposta, seja pela assertividade, seja pela evasão, e impressiona pelo seu aspecto sinistro, sobretudo na expressão de emoções que imitam as humanas. Porém, não tenho dúvidas que os cientistas rapidamente a tornarão mais agradável ao olhar, destruindo a suspeita que os humanos sentem, ao observá-la. Dar-lhe-ão um aspecto adorável, que cativará os mais incautos. E certamente, a irão apetrechar com tudo o que possa parecer útil, e ser realmente útil, ao comum dos mortais.

Apesar dos avisos, alarmantes, contra a Inteligência Artificial por muitos cientistas, incluindo Stephen Hawking, a marcha para o desenvolvimento e expansão da A.I. continua. Esta é apenas uma boneca, que dá rosto a um perigo, pretendendo exactamente parecer o contrário. É óbvio, no entanto, que tendo um país atribuído cidadania ao robô, a humanização destas máquinas acaba de se consagrar.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"Alegria Hygge" - Dica de leitura

Via Wook

Segundo o relatório anual da Onu os dinamarqueses são o povo mais feliz do mundo. À partida, atribuiria-se este estado ao nível de vida que este povo tem, todavia parece que o requisito é outro. O "segredo" tem sido desvendado no último par de anos, e amplamente divulgado; afinal parece tão possível para qualquer um de nós, atingir essa espécie de Nirvana! Tudo se resume ao Hygge*.
Pronuncia-se "hu-gah", e significa aconchego, a arte de criar uma sensação de conforto, tranquilidade e bem-estar, valorizando cada momento, rodeados por tudo e todos, os que amamos. 

Este livro sistematiza tudo aquilo que se conjuga para nos proporcionar este sentimento de hygge, desde o vestuário, à alimentação, passando pela decoração e vida social. Coisas tão simples como beber um chá, aconchegar-se numa mantinha a ler um livro, convidar amigos para petiscar ao fim-de-semana, acender velas, oferecer presentes feitos por nós, escrever num bloco pensamentos e poemas, etc. O Outono e Inverno são por excelência as estações adequadas às práticas indicadas pelo hygge, é portanto uma leitura muito a propósito.

"Se tem filhos, dê-lhes espaço para reflectir e explorar a sua criatividade. Brincar é essencial no desenvolvimento de qualquer pessoa, por isso estimule os seus filhos a encontrar a sua própria forma de brincar. Não afogue o tempo das crianças em actividades porque, na realidade, elas são incapazes de processar e gerir tanta informação. Hoje, mais do que nunca, é necessário que as crianças cresçam num ambiente tranquilo, num ambiente hygge."

Título: Alegria Hygge
Autora: Pia Edberg
Nr de Páginas: 139
Editora: Versão de Kapa 

* Mais dicas aqui.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Apologia à ruralidade ( ≠ urbanidade)

Urbanidade: (latim urbanitas, -atis)
substantivo feminino
1. Qualidade do que é urbano.RURALIDADE
2. Vida de cidade.
3. [Figurado]  Cumprimento das regras de boa educação e de respeito no relacionamento entre cidadãos. = AFABILIDADE, CIVILIDADE, CORTESIADESCORTESIA, INDELICADEZA

Notei que nos últimos meses, se apropriaram-se os políticos da palavra "urbanidade"; algum a usou e lançou tendência. Usam-na para caracterizar o civismo de alguém, e o Priberam confirma.
Mas a mim não agrada, pois se "urbanidade" tem tudo isso de bom, "ruralidade" há-de ter o contrário em mau: falta de cumprimento de regras, má-educação, indelicadeza, enfim, toda uma versão vilã. 
Não me agrada porque não é justo nem correcto; na ruralidade há franqueza, frontalidade e outros valores que nascem e proliferam naturalmente, é certo, sem os refinamentos da "urbanidade". Não implicando isso, que não exista respeito e educação e sobretudo, honestidade. 
A vida no campo tem um cenário natural, e as suas pessoas habituaram-se a ver a vida dessa forma, tal qual ela é. Sem camuflar o que tem de menos bom, zangam-se quando o entendem, mas fazem-no com sinceridade, não é teatro para inglês ver. E quando está tudo bem, está mesmo, a boa cara não é circunstancial. 
O campo é o berço de tudo, e de todos; mas alguns foram para a cidade, e esqueceram de onde vieram, ou apenas se lembram, ocasionalmente, envergonhados. Parece-me que essa atitude, é que é de facto a própria definição de "urbanidade"
 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Tarte de Amêndoa e Framboesa


O aspecto desta tarte na fotografia da revista, convenceu-me mais do que saber que era receita do José Avilez. E também por ser de amêndoa, que apreciamos muito. Porém, fiquei um pouco decepcionada quando verti o recheio para a tarteira, vi imediatamente que não teria a altura e textura da original. Verdade seja dita, fiz alterações a meu bel-prazer, ou melhor dizendo, segundo o que me convinha; substituí a farinha da amêndoa, que não tinha, por amêndoa ralada, e não fiz a base da tarte, optando pela massa folhada, por ser prático e porque gostarmos.
Explicará certamente a diferença, contudo o sabor é óptimo e a tarte foi um sucesso.

Tarte de amêndoa e framboesa
Ingredientes:
100 gr de manteiga
100 gr de açúcar
100 gr de farinha de amêndoa
1 ovo grande
50 gr de framboesas frescas

Como fazer:
Forrar a tarteira com a massa folhada. Derreter a manteiga em banho-Maria, acrescente o açúcar, o açúcar, a farinha de amêndoa e por fim o ovo.  Colocar este creme na base da tarteira, dispor as framboesas, e levar ao forno, pré-aquecido a 170º, cerca de 45 minutos. 

Revista do Expresso, 28/05/2016

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Castigar não faz sentido

"Educar é muito mais simples a partir do momento que se percebe como funciona o cérebro de uma criança. Este precisa de equilibrio entre amor e regras, entre proteger e deixar que uma criança seja independente. 
... O limite põe-se  antes que a criança se porte mal. Prevenir é melhor do que corrigir. O difícil na questão dos limites é saber como pô-los e estar atento ao comportamento da criança para o prevenir."

 Neuropsicólogo Álvaro Bilbao, autor do livro "No cérebro das crianças explicado aos pais", in entrevista Revista Expresso, 28/05/2017

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ingratidão

Via
O dia amanheceu triste. A origem do cinzento espesso do céu e o odor a queimado não é local. Não é apenas dos fogos que desde a semana passada rodeiam os montes do meu Vale. Pertencem a todo o pais; ontem à noite 300 fogos, hoje diz-se que depois da meia noite aumentaram, passando dos 500. Há novamente vítimas mortais. Há casas queimadas e gente deslocada. Há o Pinhal de Leiria, do nosso D.Diniz, em perigo. Há criaturinhas da natureza incineradas. A Natureza devastada. 

Já ninguém acreditará que os fogos não são senão de origem criminosa. Que limpar as matas não é argumento de peso, nem que os eucaliptos são os grandes responsáveis, por serem altamente inflamáveis. 
O grande culpado é o Homem. Com a sua maldade, ambição desmedida e falta de amor pelo próximo e pelo planeta. É triste, e incompreensível, que de todas as criaturas que habitam a Terra, é a nossa a que mais proveito dela retira, e que mais prejuízo lhe causa. E ainda assim ela nos abençoa, novamente, com a chuva que se torna a nossa derradeira esperança.  

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Perguntas dos filhos que nos fazem pensar

via
- O que é a Filosofia? 
Agora que já sabe, atormenta-me perguntando-me continuamente para que serve. E por mais que lhe explique que serve para nos fazer reflectir, para debater as grandes questões e dar orientação ao Homem, conclui sempre o mesmo: -E para que tenho eu de saber sobre quem existiu há mais de 2000 anos? 
Responder-lhe que a Filosofia tem um fio condutor, que é preciso seguir para chegar à actualidade, que tudo o que está a estudar é Cultura, e necessário para se tornar em alguém interessante e culto, é inútil; responde-me com a incompreensão própria de uma geração que encontra toda a informação à la carte, num piscar de olhos, na Internet. E ainda por cima, feita de forma muito mais apelativa, com desenhos e gráficos, com música e sentido de humor.

Parece-me, e receio realmente, que as disciplinas clássicas têm mesmo os dias contados.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Mulheres que não querem ter filhos




Àquela frase: "-Vais-te arrepender de não teres tido filhos", respondem silenciosamente muitas mulheres "estou arrependida de ter sido mãe". Não o podem dizer em alta voz, pois a sociedade condena estas mães que se renegam, não compreendendo a rejeição daquilo que lhes deveria ser natural. Pois bem, não é natural para todas as mulheres ter filhos. Não é papel que todas desejem desempenhar. Não é capacidade que tenham, nem vontade de realização. Muitas, apenas consentem obrigadas pela pressão familiar e social.

Mulheres que não querem ter filhos, não têm implicitamente qualquer problema; não são automaticamente estéreis, não estão deprimidas, não tiveram necessariamente traumas na infância, não precisam de terapia, nem detestam crianças. Não são egoístas, nem menos femininas por isso. Já escrevi aqui uma vez, que talvez as mulheres que escolhem não ter filhos sejam as mulheres mais lúcidas de todas. Porque convenhamos, a maternidade não é profissão, nem passatempo, é missão de vida; a responsabilidade de criar um ser, tentando fazer dele alguém saudável, equilibrado e feliz, é uma super tarefa. E ninguém sabe exactamente como se consegue isso. No entanto, ninguém se cobra mais pela suas falhas do que uma mãe. Ninguém é tão implacável consigo própria. Pois, mais uma vez, a sociedade atribui à mãe, a responsabilidade da educação dos filhos, muito mais a ela do que aos pais. 

Nenhuma mulher deveria sentir-se obrigada a gerar um filho; não é um desígnio comum a todas nós, e está tudo bem! Quem não resiste e cede, apenas troca de "prisão", liberta-se da pressão social para se acorrentar a outra maior, mais presente e para sempre. Com o bónus dual de amar e renegar, então sim, certamente se aproximarão da doença, conflito interior e depressão. Nenhuma mulher tem obrigatoriamente que ser mãe. E ninguém tem nada com isso. 

"Estou muito arrependida de ser mãe", Sábado

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Dica de leitura: Mulheres que correm com os lobos

 
Via

Quando entrei na blogosfera, vai fazer brevemente onze anos, encontrei o blogue de uma brasileira que tinha este nome: Mulheres que correm com os lobos. Numa barra lateral ela fazia alusão ao livro, porém eu nunca tive curiosidade de o desvendar. Gostava dos textos dela, que eram diferentes de tudo o que se lia nos outros blogues, porém, apenas agora, depois de ter lido o livro entendo como tudo estava relacionado. As coisas proporcionam-se quando estamos preparadas para elas.
Demorei cerca de um ano a ler Mulheres que correm com os lobos. Fui intercalando outros livros, e outras leituras, fazendo pausas necessárias, o que para mim é algo invulgar; é que este livro é demasiadamente profundo para ser lido de rajada, é como uma bebida forte que se bebe aos goles, apreciando cada trago, e tentando entender que efeito tem em nós a sua absorção. 

Clarissa Pinkola Estés, psicóloga junguina, poetisa e contista, parte de uma série de contos recolhidos por ela, na sua família e por todos os locais e países por onde viajou, para descodificar os processos psíquicos que nos orientam ou dominam. Os contos que todos conhecemos não são apenas historinhas de amor ou maldade, escondem sentidos profundos que revelam a natureza humana, as capacidades que temos, ainda que adormecidas, num desvendar maravilhoso do intra-mundo que possuímos sem sequer saber, e que contudo, nos governa. 
Por exemplo, no conto "A mulher esqueleto"; um pescador pesca um esqueleto do qual não se consegue libertar, acaba por acarinhá-lo e viver com ele uma história de amor, assim lhe dando a vida. Para a autora, a história relaciona-se com os ciclos da vida-morte-vida, que se vive num relacionamento; as relações são ciclos de animação, desenvolvimento, declínio e morte. Não significa que a morte seja ruptura definitiva, pode ser apenas ruptura com aquilo que foi, que existia antes, passando a ser de outra forma. Ou pode simplesmente ser, de facto, ruptura definitiva de relacionamento. Se aceitamos entrar neste jogo ( o de ter um relacionamento), devemos estar preparadas para as suas fases naturais, vida-morte-vida, e saber aceitá-las. Esta é uma tecla em que a autora constantemente bate, e muito sinceramente, para mim faz todo o sentido.

Partindo da comparação com os lobos, Clarissa Pinkola Estés defende que as mulheres possuem semelhantes características, como o sentido apurado, espírito divertido e elevada capacidade de afeição. "Lobos e mulheres são seres relacionais por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e energia. São fortemente intuitivos, profundamente preocupados com as crias, com os companheiros e a família". Porém, tal como os lobos foram obrigados e afastar-se cada vez mais longinquamente, e embrenharem-se em esconderijos isolados para não serem extintos, também a mulher tem sido vítima, há séculos, do aniquilamento da sua natureza instintiva feminina para sobreviver. O que Clarissa Pinkola Estés propõe é precisamente restaurar a vitalidade das mulheres, recuperando os dons femininos adormecidos, pela desvalorização e rejeição da cultura patriarcal. Por tudo isto e muito para além disto, Mulheres que correm com os lobos tem sido uma obra aclamada pelo movimento feminista e referência no que respeita o resgate do sagrado feminino.
Maya Angelou sintetiza todo o meu artigo perfeitamente em duas frase:

" Esta obra mostra à leitora o quão glorioso é ser-se audaz, ser-se bondosa, ser-se mulher. Todas as mulheres deverão ler este livro."

Título: Mulheres que correm com os lobos
Autora: Clarissa Pinkola Estés
Edotora: Marcador
Número de pág. 608

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Seitan com batatinhas e espigos de penca #vegetariana


Este prato surgiu-me inspirado pela preguiça. Cozinhei para acompanhar carne para metade da família, e o seitan apenas para mim e para a Letícia. E ficou assim a modos que muuuiiiito bom! 

Seitan com batatinhas e espigos de penca
Ingredientes:
Seitan 
Batatinhas para assar
Espigos de penca
Sementes de sésamo
Molho de soja
Alho, sal e pimenta q.b.

Como fazer:
Cortar o seitan em fatias, temperar com molho de soja, alho, sal e pimenta e deixar a marinar 20 minutos. Envolver as batatas, bem lavadas, em azeite, alho, sal e pimenta e levar ao forno a assar até ficarem macias. Cozer os espigos de penca ao vapor, e salteá-los em azeite e alho picadinhos, ajustando os temperos. Envolver as fatias de seitan em sementes de sésamo e fritá-las numa sertã com um pouco de azeite. 
Dispor tudo no prato e festejar!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Filhos - disponibilidade emocional ?

Via
Este ano estão a nascer menos cinco bebés por dia, em Portugal. As mães têm os filhos cada vez mais tarde, por volta dos 30 anos, e ficam-se pelo filho único. Sendo no interior do país, aonde a desertificação prossegue, que mais se sente este decréscimo.
Os motivos são sobejamente conhecidos, precariedade, instabilidade económica e falta de apoio institucional. Para agravar, sofremos nos últimos anos enormes perdas das camadas mais jovens, com a emigração.
Apesar das estatísticas, dos estudos feitos, os governos sucessivos parecem não se dar conta do impacto que o declínio da população portuguesa terá no futuro do país. Não promovem medidas sérias, não implementam políticas efectivas e duradouras, que revertam e recuperem esta tendência. 
Não somos o único país na Europa com esta estatística desanimadora e preocupante, tem sido tendência continental, porém há quem esteja já a fazer caminho inverso. A Hungria conseguiu, não somente, aumentar em 0,42% o número de nascimentos, como o dos casamentos em 1,12% e diminuir o divórcio em 1,12% ( entre 2012-2015). Apesar da Hungria estar ainda abaixo da média europeia, as medidas implementadas pelos governos estão a dar resultados com tendência oposta aos restantes países.

Dizem os especialistas que ter filhos pressupõe sobretudo uma disponibilidade emocional; e pelo que vejo, parece-me realmente que sim. Há imensos casais que tendo condições financeiras para ter mais do que um filho, optam por não ter, por razões que não implicam necessariamente finanças. E outros, mas muito menos, que possuindo restrições económicas, se aventuram por gosto, no projecto de alargar a família. Encontram diversas formas de economizar para poderem criar os filhos com dignidade. Procuram formas novas de viver a vida confortavelmente sem grandes supérfluos. Inventam recursos que ainda não lhes tinha ocorrido. Enfim, focam-se em soluções.

Tenho para mim que as medidas dos governos ajudam muito mais para além do económico; são um incentivo, sim, mas são sobretudo uma forma de iluminar a ideia da grande família, de valorizar o ter filhos no plural. Assim como uma espécie de campanha publicitária permanente, cujo impacto no país é reconhecido e gratificado. E parece-me que isto sim, é muito mais capaz de envolver emocionalmente casais do que qualquer outra coisa.

Fontes:
Sempre família
Público

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Centro de mesa moderno



Um centro de mesa para a sala de jantar moderno, para dar um ar mais leve à decoração clássica que predomina cá em casa, e que me agrada muito. Fácil e económico. E prático, já agora, os pacotinhos de açúcar estão sempre disponíveis para o café!


Gosto bastante, sai do habitual, mantendo a linha dos materiais naturais muito do meu gosto.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Para quê entrar na escola aos seis?


Ao ver este vídeo lembrei-me de uma notícia que li há algumas semanas, sobre a entrada na escola, pasme-se... aos cinco anos! Como se seis anos não fosse já demasiado cedo, pelos vistos há quem defenda que a entrada aos cinco, para casos especiais, seja prática. A infância já está a ser encurtada de forma violentíssima, seja pelo que se espera e exige das crianças actualmente, seja por aquilo que a sociedade/cultura lhes oferece, disponibilizando-lhes acesso a ideias e práticas para as quais não têm maturidade. Ainda assim, há vozes que se levantam para destruir a infância totalmente, e tolamente. Para além de não permitirem que as crianças vivam a infância em pleno, desfrutando desta fase da vida como base para a construção de personalidades equilibradas e felizes, o objectivo, que é a formação académica cada vez mais cedo, sai-lhes gorada. 

Os jovens são cada mais vez mais imaturos e despreparados. A perspectiva de escolherem uma profissão "para toda a vida", assusta-os. Muitos, nem sequer sabem exactamente a profissão que querem escolher. Encontram-se perdidos. E para se encontrarem, a perspectiva de fazer um gap year - pausa de um ano-, parece-lhes a solução.
Partir pelo mundo, viajando, fazendo voluntariado, aceitando trabalhos para os quais têm estudos acima dos requeridos, é a saída que lhes convém. Não sei se partem para se encontrarem, ou se partem para fugir. Ou ambas. Acredito que voltem efectivamente mais maduros, conhecendo-se melhor e sabendo o que querem.

Seja como for, a maturação requer tempo, portanto, por que tanta vontade em antecipar a entrada nos filhos na escola? Para chegarem ao mercado de trabalho antes dos outros? Para começarem a ganhar dinheiro mais cedo? Há estudos feitos que provam que os alunos mais novos têm resultados mais baixos, comparativamente com os seus colegas mais velhos. 
Está visto que os filhos frequentemente boicotam os planos dos pais. E mais cedo ou mais parte ficamos sem controle sobre eles. 
Só temos uma oportunidade para os educarmos, e não sendo nenhuma experiência que possamos repetir, talvez o melhor fosse tão termos tanta pressa em lançá-los para o mundo.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Manipulação da mulher, por #AugustoCurry

- É mais difícil para a mulher ser autora da própria história?
- Sem dúvida, a maior conspiração deste século é a conspiração contra as mulheres, elas têm mais transtornos psíquicos não porque sejam o sexo fraco: são mais inteligentes, altruísta e solidárias. Mas são constantemente bombardeadas por um padrão de beleza que nunca houve na história, o ideal magérrimo e doente é utilizado pela sociedade de consumo para vender tudo e mais alguma coisa. E o nosso "biografo" interior não perdoa, quando ele vê um anúncio de um perfume não entra na "janela" apenas o perfume, mas este ideal assassino de beleza. Isso é feito às claras. Estamos a destruir a vida das mulheres que vivem sequestradas por dentro. E toda a gente acha isso normal!

- Isso interessa a quem?
- Interessa ao sistema capitalista que estejamos sempre prontos a comprar qualquer coisa. As mulheres são as mais pressionadas a consumir mais desnecessariamente, para compensar a ansiedade. Quando o segredo de uma emoção feliz é fazer muito do pouco. A emoção não respeita o dinheiro que você tem mas o que você sente por você mesma.
       Augusto curry, in Activa nr 321, Agosto, 2017

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Massa com pimentos #vegetariana


Massa com qualquer coisa é sempre bem-vinda cá em casa, sobretudo para a Letícia. Mas esta ficou particularmente deliciosa, e é bem fácil e rápida de se fazer!



 Massa com pimentos
Ingredientes:
Duas chalotas
250 gr de fusili (ou outra massa)
1 pimento vermelho
1 pimento amarelo
20 ml de puré de tomate
2 c.sopa de natas de aveia
100 ml de caldo de legumes
Ervas da Provence

Como fazer:
Saltear as chalotas cortadas picadas em azeite. Acrescentar o puré de tomate ( cortei dois tomates e reduzi a puré com a varinha). 
Lavar os pimentos e cortar às tiras. Coze-los numa sertã com um fio de azeite juntar o caldo de legumes. Temperar com as ervas da Provence e deixar ferver 5 minutos. 
Cozer a massa al dente numa panela com grande volume de água, e sal. Escorrer e colocar num prato fundo de ir ao forno. 
Escorrer os pimentos e juntá-los à massa. Acrescentar ao caldo as natas ao molho de tomate, temperar com sal e pimenta, e deixar  ferver um pouco. Verter sobre a massa, envolver, cobrir com queijo a gosto e levar ao forno 5 minutos a gratinar. 
 

Receita do livro "Pâtes & Pizzas", Femmes d'aujourd'hui

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Para começar a Escola...

- Diz que estamos numa sociedade de entretenimento mas continuamos sós..
- A sociedade do lazer criou a geração mais triste que pisou esta terra, o suicídio aumentou 40% mundialmente entre os jovens, e não só a baleia azul. O excesso de informação e de compromissos levou ao assassinato da infância. Os mais novos precisam de cada vez mais para sentir cada vez menos e estamos a aumentar o seu nível de exigência para serem felizes. Estamos a gerar mendigos emocionais.  Os pais têm de falar das suas lágrimas para que os filhos possam chorar as deles, têm de falar dos seus fracassos para que os filhos entendam que não têm que ser super nada, têm de levá-los a contemplar o belo a destinos tranquilos e serenos que formem "janelas light", o ecrã não pode ser toda a vida deles. E não olhem para as notas...

                 Augusto curry, in Activa nr 321, Agosto, 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Mudança de turma? No drama!

O meu primogénito permaneceu na mesma turma desde o 1º até ao 9º ano, com poucas entradas e saídas de alguns meninos. Mesmo quando a turma se deparou com a escolha da 2ª língua estrangeira, no 7º ano, e pareceu desmembrar-se, acabou por permanecer praticamente a mesma.  E com alivio terminava a minha inquietação; eu achava isso ideal, que a a estabilidade, a permanência dos amigos, o facto de já se conhecerem bem, se conjugava para o melhor. 
Porém, no 10º ano, perante escolhas de áreas de estudo diferentes, a possibilidade de dispersão dos colegas voltou a surgir e dessa vez com mais seriedade, pois já se tratava de escolhas relacionadas com as profissões. Com o futuro. 
Portanto, o meu filho foi colocado numa turma com pouquíssimos  amigos/colegas da sua turma de sempre, numa escola diferente, numa área que não é propriamente fácil - CT - e nada disso pareceu atrapalhá-lo. Integrou-se lindamente na nova turma, fez novos amigos e conheceu outros colegas. Afirmou-me, no final do ano, que gostava muito desta turma, que eram muito unidos e companheiros. Numa ocasião em que dei boleia a dois amigos do Duarte, ambos repetiram a mesma opinião. E ainda, conversando com outras mães, elas me confirmaram o mesmo, e isto da parte de alunos oriundos de diferentes turmas.
Afinal a inquietação era apenas minha. Os adultos são muito mais reaccionários à mudança do que as crianças e jovens. Por vezes as mudanças são boas, e querer permanecer numa situação por ser conhecida não é per se argumento máximo. As mudanças ajudam-nos a evoluir, dando-nos oportunidade de descobrir novas situações e pessoas, fazem-nos crescer. 
Agora que a minha filha se depara com a mesma situação, tenho outra perspectiva; apenas espero que corra pelo melhor. E ela, com a confiança própria da idade, nem lhe ocorre que de outra forma possa ser! 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Anedotas que se escrevem e contam por aí

"A loira burra" 👱

- Qual é a diferença entre um pão e uma loira? O pão tem miolo.
Pressupõe-se então:
- Qual é a semelhança entre um pão e um loiro? Ambos têm miolo.

Mas claro que isto não poderia ser anedota, não tem piada. 
Tem piada rebaixar, e quem melhor para diminuir do que o género feminino? Ser loira é detalhe, o ataque é feito a todas as mulheres.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Salada de Grão, quinoa e mangericão #vegetariana


Quando a Letícia viu esta salada pronta torceu o nariz, como aliás eu já previa que torcesse, pois não é de todo fã de saladas. Porém, insisti com ela para comer uma garfada, ainda antes de levar a travessa para a mesa. Disse-lhe que iria ter uma enorme surpresa com os sabores, que era deliciosa. E assim foi, ainda a mastigar o rosto dela iluminou-se com um sorriso perplexo.
É mesmo surpreendente que receitas tão simples se revelem tão saborosas, e uma festa inesperada para as papilas gustativas.  


Salada de quinoa e grão-de-bico e magericão

Ingredientes:
1 chávena de quinoa cozida
3 chávenas de grão de bico cozido
1 chávena de tomates cereja (cortados ao meio)
Folhas de manjericão picadas
2 colheres (sopa) de azeite
1 colher (sopa) de vinagre balsâmico
1 colher (chá) de sumo de limão
1 dente de alho (picados ou espremidos)
1/4 colher (chá) de oregão seco
Sal e pimenta

Como fazer:
Colocar o grão-de-bico com a quinoa numa travessa e acrescentar os tomate-cereja. Colocar num frasco o azeite, vinagre, sal, pimenta, sumo de limão e oregãos, e agitar. Verter sobre o grão e quinoa, envolver e decorar com as folhas de mangericão picado.

Dica: Espere um pouco antes de servir para o tempero se intensificar.

Receita do Onda Verde

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Dicas de documentários

 
Via

Ultimamente tenho visto sobretudo documentários, tenho alguns gravados há semanas, meses, que aguardo ansiosa para ver. Entretanto, vou deixar algumas dicas para que possam ir ainda buscá-los, se por acaso algum vos despertar interesse. São exibidos pela RTP2 e TVcine2.

Bright Lights
Este documenta a vida de Carrie Fisher e Debbie Reynolds, que foram notícia no principio do ano, por terem falecido uma a seguir à outra, no espaço de uma semana, sendo filha e mãe. Ficamos a conhecer as vidas destas célebres actrizes, e a compreender a forte dinâmica entre ambas, e a entender a morte da segunda.

Nada por dizer
Apresenta a vida interessante de Gloria Vanderbilt, de rica herdeira a actriz, estilista, empresária e artista. E também mãe do apresentador de t.v. Anderson Cooper, que dirige o documentário. 

Sicko
O polémico produtor norte-americano Michael Moore debruça a sua atenção sobre a saúde nos E.U.A. , conduzindo-nos pelos meandros da sociedade e política. Revela-nos uma situação no quadro da saúde absolutamente inacreditável, de tão má que é. Custa a crer que naquele país, tido como indubitavelmente rico e evoluído, exemplo de modernidade e terra de oportunidades, a saúde seja pior do que a de muitos países do 3º mundo. Um pesadelo.

E agora invadimos o quê?
Novamente Michael Moore, questiona o modus operandi do governo norte-americano, encontrando em vários países europeus, que visita, formas de fazer e estar, em diversas áreas da vida, bem sucedidas, que poderiam ser implementadas no seu país.

Os segredos da Colmeia
O meu interesse pelas abelhas é conhecido, adoro este insecto. Tudo o que lhes diz respeito me fascina. Portanto, há 20.000 espécies de abelhas no mundo, e muitos segredos a desvendar. Estas grandes polinizadoras merecem ser mais conhecidas, para serem mais respeitadas. As colmeias em colapso, milhões de abelhas dizimadas, sem sabermos porquê deveria alarmar-nos, elas são-nos vitais.

Mulheres do mundo
Neste  documentário que  possui 10 episódios, ficamos a conhecer a vida de 10 mulheres, espalhadas por regiões remotas do nosso planeta. Vivem ainda de acordo com as tradições seculares das suas culturas, o que torna estes documentários realmente fascinantes. Sociedades matriarcais e casamentos poliândricos são comuns por estas paragens, longínquas entre si.

Amanhã
Ganhou como melhor documentário dos prémios César, e percebe-se porquê. Os produtores  procuraram pelo mundo, pessoas, ideias, novas formas de fazer nas áreas do ambiente, ecologia, educação, agricultura e indústria, que revertam a tendência destrutiva do nosso modus vivendi. E as ideias boas são muitas, e a prova de que resultam é que já estão a ser implementadas com sucesso. É apenas necessário que se expandam massivamente, para que um Amanhã com esperança seja possível.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Férias na Toscânia


Temos evitado as férias em Agosto há anos; as filas em todo o lado, a lotação esgotada, os preços mais altos desanimam-nos à partida, porém este ano teve mesmo que ser. Pensando que a data seria a menos ideal, não nos ocorreu que a meteorologia se associaria aos inconvenientes da época mais alta. Portanto, fomos apanhados em cheio por uma onda de calor que varreu Itália e nos deixou a modos que atordoados. Temperaturas acima dos 42º são imensamente condicionadoras ( 38ºàs 20h!) e muito capazes de nos destruir a motivação para caminhar pelas ruas, e visitar monumentos e museus. É que estes, são na sua maioria desprovidos de ar-condicionado, e nestas condições o ar fresco é praticamente imperativo. Entre o apartamento e carro que alugamos, encontrávamos uma espécie de oásis, além destes, sofremos imenso com o calor! As bebidas frescas não tinham tempo de se refrescarem nos cafés, bares e supermercados, por isso tínhamos que nos precaver, levando-as de casa. Felizmente, estávamos no melhor país do mundo para comer gelados! E por sorte, fomos encontrando as melhores geladarias possíveis, pelo menos assim nos pareceu. Tivemos a impressão de sermos sustentados a água fresca, melancia e gelados; uma dieta peculiar.
 
Visitamos a Itália pela primeira vez há cerca de 18 anos, e portanto, Roma, o Vaticano, e outras cidades ficaram de fora, desta vez. Fizemos de Bolonha a nossa base; uma cidade pouco turística, porém geograficamente bem localizada. E isto do pouco turístico é relativo, há imensos turistas, a maioria italianos, mas também estrangeiros por todo o lado. De qualquer forma, para além das grandes cidades e autênticas pérolas que visitamos, como Florença e Veneza, o nosso interesse voltou-se para as pequenas cidades, onde os turistas italianos se passeiam, como Ferrara, Carrara, Ravenna, Modena e Ímmola. São destinos absolutamente fantásticos, onde reina ainda uma atmosfera genuinamente italiana. Há sempre o que ver, o que admirar. O que Itália tem de bom é ter esta oferta imensa por todo o lado, de monumentos, museus, arquitectura, ruelas, pontes, etc.

De Bolonha ficamos com a impressão de ser uma cidade seca e quente( é assim considerada habitualmente), não se encontrando árvores, vegetação, canteiros de flores, lagos ou fontes, dá ainda mais a impressão de ser árida. Isso fez-me imensa impressão. Como comprovativo do calor excessivo, a minha máquina fotográfica "derreteu" logo no primeiro dia, e as fotos de Bolonha foram-se. 
São famosas as "Due torri" no centro da cidade, muito próximas e visivelmente inclinadas ( 3 mt, dizia o Guia Michelin), a Fonte de Neptuno ( coberta para restauro), a Piazza Magiori ( onde à noite há cinema com lotação esgotada), a basílica de san Petrónio, a Biblioteca, a igreja de San Domenico e o Museu de Arte Antiga. Os melhores gelados são os da Sorbeteria Castiglione, e o sabor típico é crema bolognese. Divinal!



Os melhores gelados em Veneza? La Mela verde!

Ao contrário do que me têm dito há anos, Veneza não cheira mal no Verão, nem está assim tão "entupida" de turistas que não se possa andar por lá. Tem imensos turistas, é verdade, mas a circulação faz-se razoavelmente bem, o pior mesmo são as filas para visitar os monumentos; nesta época, passar um dia em Veneza é apenas para exterior. As visitas interiores são para esquecer. Aliás, o mesmo acontece em Florença, só conseguimos visitar o Palazzo Medici Riccardi, e Deo gratias!
Apesar disso, as crianças venezianas brincam nas ruas, jogam à bola entre as pernas dos turistas, o que me fez imensa impressão, por aquilo que é para mim falta de segurança. Muitos empresários da restauração, por outro lado, não se coíbem de fechar portas para férias no pico da estação alta, quase que aposto, fugindo à invasão das massas. Não ganham dinheiro, mas querem lá saber! Têm paz. Aliás, isto acontece por todo o pais, fecham os negócios e partem alegremente de férias, como toda a gente.
De resto, quem não gostar de Veneza, não gosta de nada no mundo! Veneza é qualquer coisa de assombroso, é mágica. É aquela cidade aonde tem que se ir, pelo menos uma vez na vida.

Desta vez fizemos as férias em família, o Duarte também se juntou a nós, embora já tenha prevenido que para o ano não irá. A não ser que seja para Nova York. E oxalá que não seja, diz ele. Só para poder ficar. 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Eu também penso neles...

via

Fui pôr o saco do lixo na rua, e o tritinado de um grilo chamou-me a atenção; estaria no quintal do outro lado da estrada? Mas o som era tão alto que me parecia mais próximo. Curiosa, fui-me aproximando da origem, e mal dei dois passos, ainda perto da soleira da minha porta, encontrei-o. O grilo estava alojado num minúsculo buraco do alcatrão recentemente colocado, e mal colocado, junto ao passeio. Perplexa, indaguei-me como teria ele aí ido parar, de que se alimentaria? 
Lamentei a sorte do grilo naturalmente cantador. Enfiado num buraco negro, rugoso e pestilento ao invés do seu habitat natural, terra fresca com odores a ervas e flores silvestres. Perto do seu alimento. Longe dos bichinhos que habitam a terra como ele, e debaixo da iminente ameaça dos carros e pés humanos. 
Especulo se este grilo escolheu o exílio, a natureza deixou de ser lugar seguro para o reino animal. E a fumaça, sobre as colinas que nos rodeiam, lembra-me que já nem aonde vivem humanos o refugio está garantido. Mas será talvez aqui o último abrigo. Eu sei que para o grilo este asilo tem os dias contados. E é triste.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Destinos paradisíacos? 😶




Há uns tempos eram notícias festas privadas de adolescentes, que de repente tomavam dimensões gigantescas, e descontroladas por terem sido divulgadas nas redes sociais. Os convidados apareciam às centenas, milhares. Parece que o fenómeno desapareceu, alguém aprendeu a lição ou a notícia deixou de ter impacto. Porém, surgem agora notícias semelhantes, não relativas a festas, mas a locais específicos, caracterizados por paisagens excepcionais, águas cristalinas, vegetação tropical, ou arquitectura consensualmente bela, que da noite para o dia passam de segredos locais, a destinos das massas. 

De cada vez que no meu feed do FB surgiam fotografias extraordinárias, deste tipo de local, partilhadas por sites temáticos, ou pelos meus amigos, eu temia que fosse este o resultado. Pois então, aconteceu numa localidade em Itália, um pequeno vídeo bastou para promover a invasão descontrolada. A população não se queixa das pessoas, queixa-se do comportamento das mesmas. 

Pode ser esse um caso de maiores proporções, porém neste Verão já senti a invasão dos turistas num local da natureza, que frequento como se sagrado fosse, e vi o rasto deixado por aqueles que vão à caça da selfie, do momento passageiro, do banho fresco e bronzeado moderno, dando como moeda de troca as beatas, a garrafa de cerveja esquecida, as sacas plásticas voadoras.
Isto não é de gente que gosta da natureza. Não é de gente que aprecia o silêncio, a tranquilidade. Isto é apenas de gente que tem conta nas redes sociais, e aí encontra dicas de sítios a visitar, e aí publica as fotos para os outros porem likes

Recentemente li a entrevista a uma certa actriz portuguesa, na qual à pergunta sobre a sua praia favorita, ela respondeu: "Isso é segredo; mas também frequento tal e tal." Adorei a resposta. É assim mesmo que todos devemos proceder; guardemos os nossos locais favoritos como segredos, não é inveja, é preservação. É cuidado para com esses locais; é respeito por esses sítios, pelas criaturas e pessoas que aí habitam.
A verdade é que o mundo não está preparado para estes paraísos.


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Pataniscas de courgete e batata


Abundância de courgete e batata, ainda da velha que teima em sobrar, levaram-me a fazer estas pataniscas, que se revelaram deliciosas. Para acompanhar com uma salada, ou levar para um piquenique.

Pataniscas de Courgete e Batata
Ingredientes:
uma courgete média
Uma batata grande
Farinha q.b. ( +/- uma chávena de chá)
2 ovos
sal e pimenta a gosto

Como fazer:
Ralar a courgete e batata, juntar os ovos batidos, temperar com sal e pimenta, e envolver. Adicionar a farinha de trigo até a massa ficar com uma consistência que permita fazer as pataniscas. Colocar numa sertã, com azeite quente apenas a cobrir o fundo, e achatar, formatando as pataniscas. 
Servir com arroz branco, ou salada, ou apenas como petisco. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

- Os pais já não berram! Ninguém berra.




Há pessoas que acreditam que se educa, berrando. Não entendem que o berro perde a força da palavra e ganha a fraqueza do medo. Não compreendem, ou pior, compreendem, usando o berro como arma única, com a cegueira de quem não conhece outro caminho. E por isso o usam e recomendam, criticando abertamente quem se desvia do mesmo estratagema.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O hermafroditismo

E sem explicações, novamente aconteceu. Mais dois filhos de produção independente, como eufemisticamente se costuma dizer. 
Não querendo julgar a pessoa que Cristiano Ronaldo, é, que de facto desconheço, e por isso só poderia aventurar-me em conjecturas, que as há em abundância (fosse em seu benefício ou não) se por aí enveredasse, tenho ainda assim algo a dizer sobre esta notícia, que não me deixa indiferente. 
Admiro o atleta, pela sua capacidade de trabalho e tenacidade para alcançar o nível que alcançou, sendo um orgulho para os portugueses, e um modelo que inspira, porém nesta questão da paternidade, a minha admiração retraí-se.

Eu compreendo a pressão do relógio biológico, compreendo que sendo homem e desejando muito ser pai, a situação é bastante mais complicada de resolver, do que quando se é mulher, com a mesma vontade. Consigo imaginar a frustração que se deve sentir, com a passagem dos anos, e o desejo da paternidade latente por realizar. Creio que consigo sentir a ansiedade. E por isso, de certa forma, consigo entender a tentação de entrar por um caminho enviesado. 

Se a medicina está suficientemente evoluída para proporcionar a realização deste desejo, na falta do habitual pai e mãe, se existem condições financeiras que proporcionam a concretização desta vontade, então, por que não? 
Talvez tenha sido isso que o Cristiano Ronaldo pensou. E outros como ele, que segundo as notícias também recorreram a barrigas de aluguer. Uns porque são casais homossexuais, outros por questões de saúde, ou até profissionais. 
Portanto, se existem os meios, a legitimação do acto é automática? Seria simples demais se assim fosse. Um filho gera-se com a união do homem e da mulher, e se a participação desta é apenas como doadora de óvulos, e receptáculo de um embrião, não havendo amor, desejo, ou qualquer outra emoção humana, senão motivação económica, falha à partida a ideia de concepção que todas as pessoas gostam de saber estar na sua pré-existência. Ninguém aprecia ter sido um acidente; ninguém entende a rejeição; nenhum ser humano fica indiferente perante a falta de desejo, de qualquer um dos pais.

Passa, ou passou, num canal de t.v. uma série sobre pessoas adoptadas que buscam as suas famílias biológicas. Por mais amadas e bem tratadas que tenham sido por quem as adoptou, a alma insta-os a procurarem as suas raízes. Querem saber porque foram "rejeitados", querem ficar cara a cara com as suas mães. E normalmente, é com as mães que desejam encontrar-se, e confrontar-se. Na grande maioria dos casos de adopção, os adoptados descobrem que não houve rejeição, apenas falta de meios para serem criados dignamente, e a justificação de que sendo adoptados teriam uma melhor educação, uma vida mais fácil; e isto é uma escolha resultante de amor. E ainda assim, compreendendo tudo isso, sentem-se rejeitados. Precisam de ajuda, de terapia, de tempo, para desconstruir ideias nefastas, e se reconstruirem como seres humanos equilibrados e saudáveis. Explica-se isto com a ligação superior à mãe biológica, que mesmo se afastando nunca será esquecida; mesmo sendo muito bem substituída, nunca o será realmente. 

Há, relativamente a este fenómeno das barrigas de aluguer, uma questão assaz complexa que implica a ética num sentido filosófico, e a ética, no sentido pragmático. Será correcto pagar a um ser humano para gerar uma vida, e dela abdicar totalmente, entregando-a como qualquer outra mercadoria? Será aceitável que as mulheres se tornem  máquinas gestacionais, ao dispor de quem tem dinheiro?
Em concreto, em que condições estão a ser feitas estas "transacções"? Sabe-se que existem fábricas de barrigas de aluguer, onde mulheres estão prisioneiras, ou reféns, como gado nos estábulos. 
Uma corrente feminista afirma que a misoginia não é senão a inveja do útero da mulher, e neste caso, a ciência e seus acólitos conseguem subverter a sacralidade da vida, em algo sujo e descartável, como uma execrável inveja manifestada. 
Pensar que a humanidade chegou a este ponto no séc. XXI, faz-me questionar o sentido da nossa evolução.

Portanto, um dia, quando estes filhos paridos por um, tiverem idade de se questionar, e começarem a questionar o pai sobre as suas mães, que resposta, capaz de os contentar, lhes será dada? Francamente, não me ocorre nada suficientemente forte que responda sem magoar, e pelo contrário, consiga apaziguar. Suspeito que não seja suficiente, saber-se filho de um intenso desejo unilateral. Não haverá amor bastante que colmate a ausência da mãe; amor de avó, por maior que seja, continua a ser amor de avó. Saber-se fruto de uma transacção comercial, é bem capaz de ser acima de tudo, destruidor.
Prevejo um preço alto a pagar, tanto para o pai, como para os filhos. E desta vez, não haverá dinheiro suficiente para comprar compreensão, tranquilidade, aceitação, e consciências. 

Como tudo isto se faz na base da liberdade, e da modernidade que tudo compreende e aceita, a avaliação moral da questão perde pertinência. Não há lugar para debates, reflexão que sirva de bússola, ou resposta a questionamentos. Há apenas, aceitação de uma nova realidade, filhos paridos por um, tal qual os hermafroditas, no reino animal.